São José mantém viva a tradição da olaria com escola exemplo na América Latina

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  • 18/Jul/2022
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  • Joaquim Antônio de Medeiros oferece cursos da tradicional da roda de oleiros, modelagem figurativa e modelagem diversas para alunos de nove a 80 anos

 

Com os pés empurrando em ritmo coordenado o pedal da roda de oleiro e com as mãos precisas no barro, o professor oleiro da Escola Joaquim Antônio de Medeiros Wilson Roberto dos Santos gradualmente dá forma à argila, que se transformará em um vaso tradicional josefense. A história de Wilson está tão misturada à argila tanto que não consegue se ver separado dela. A escola é referência no segmento e a primeira municipal da América Latina.

Wilson faz parte da terceira geração de oleiros de sua família e presenciou desde cedo o avô e pai exercendo o ofício da olaria. Conta que aos primeiros anos de vida subia “às escondidas” na roda de oleiro do avô para criar as primeiras esculturas.

Hoje, aos 65 anos, ajuda a manter a tradição, capacitando os alunos da escola Joaquim Antônio de Medeiros, localizada na Rua Frederico Afonso, 5545, na Ponta de Baixo. Inaugurada no ano de 1992, a escola funciona antigamente era uma fábrica de louças de barro.

Hoje em dia, a casa de arquitetura luso-brasileira colonial, de acordo com a coordenadora da Escola, Heloisa Souza, atende 200 alunos. São oferecidas três modalidades de cursos gratuitos: curso tradicional da roda de oleiros, modelagem figurativa e modelagem diversas de segunda a quinta. As aulas possuem faixas etárias variadas, há alunos desde os noveaté os 80 anos.

A coordenadora se emociona ao explicar a mudança de comportamento de muitos alunos, que inicialmente não se sentiam capazes de aprender as técnicas. “A nossa equipe observa que os alunos quando chegam aqui – alguns com o quadro depressivo – sentem que não vão conseguir aprender a produzir as cerâmicas, mas, ao lidarem com o barro, presenciamos que eles não só transformam a matéria-prima em uma peça. Eles também transformam a si mesmos,” desabafa.

A ERA DE OURO

Segundo o historiador e atual coordenador do Museu Histórico Gilberto Gerlach, Rafael Barcelos Martins, a Costa da Ponta, conhecida atualmente como “Ponta de Baixo”, era a região onde se concentravam mais olarias. Até os anos 50, houve uma época chamada de “A era de Ouro das Olarias”, São José chegou a ter 29 olarias. Um dos motivos da popularidade da argila está relacionada à Segunda Guerra Mundial, pois o metal era muito usado para a fabricação de armas. Assim, a alternativa mais econômica era a produção de utensílios de barro.

Atualmente, a região ainda atrai curiosos, como a professora de artes Angelina Bonete, natural de Minas Gerais, que tinha o interesse de estender as suas habilidades artísticas para a confecção de cerâmica. A professora buscou no início do ano as aulas da roda tradicional de oleiros, da Escola Joaquim Antônio de Medeiros, para se especializar. “É muito interessante a cultura de São José, principalmente, na parte econômica, onde o município se apoiou na confecção das cerâmicas. Espero que nunca se perca a tradição,” afirma.

A Prefeitura de São José, por meio da Fundação de Cultura e Turismo, realizou recentemente a revitalização da escola, que é uma edificação tombada pelo município como Patrimônio Cultural de São José. “A Escola Joaquim Antônio de Medeiros, é a primeira escola municipal que forma oleiros na América Latina. Nós estamos trabalhando para fortalecer e trazer mais oleiros, para exercer o ofício na cidade. Aqui não trabalhamos apenas a capacitação dos alunos, mas também, oferecemos um espaço de socialização. Fizemos algumas melhorias, em conformidade com os pedidos dos alunos, nas janelas, para trazer mais iluminação, a compra de um forno novo, tudo para trazer conforto durante a estadia dos alunos,” garante a Superintendente da Fundação de Cultura e Turismo, Gilmara Vieira Bastos.

Os interessados em ingressarem na escola podem entrar em contato tanto pelo instagram @escoladeoleiros.fmct.pmsj.sc, por telefone (48) 3343-3487 ou pessoalmente

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