Deputados criticam cobertura de CPI e rejeitam rótulo de inquisidores


FOTO: Solon Soares/Agência AL

Membros da CPI dos Respiradores criticaram a cobertura de parte da imprensa e rejeitaram o rótulo de inquisidores durante sessão ordinária de quarta-feira (24) da Assembleia Legislativa.

“Fico abismado quando a gente vê alguns formadores de opinião falar sobre os trabalhos da CPI. Como que estes formadores de opinião e a linha editorial de rádios, blogs, matérias de jornal, talvez pela face amigável do Sargento Lima (PSL), disseram que os deputados ontem fizeram uma crucificação dos depoimentos, que estamos fazendo uma inquisição, com depoentes extremamente vulneráveis e tendo suas imagens maculadas”, relatou Kennedy Nunes (PSD).

Kennedy pediu ao colega João Amin (PP) que repetisse a descrição da força tarefa sobre a famigerada compra. “Conluio criminoso entre agentes públicos e privados e a compra mais perversa da historia de SC”, completou, em aparte, João Amin.

“Como vamos enfrentar esses camaradas? Com carinha de anjo? Olá, tudo bem? Você passou bem a noite? Estão pensando que somos otários, dizendo que a CPI é política? Claro que é, não somos um tribunal, um convento, somos uma comissão parlamentar, parlamento, política”, disparou Kennedy, que levantou suspeita sobre churrasco patrocinado pelo governador com executivos da NSCTV, Bandeirantes, SBT e com o presidente da Acaert.

Kennedy insinuou alinhamento editorial e questionou quem seria o maior credor da Secretaria de Saúde e quem seria sócio desse credor.

“Por incrível que pareça (o credor) é o grande beneficiado por uma frase citada na CPI, ‘a Secretaria de Saúde pagou neste ano toda a dívida que tinha de fornecedores’”, ironizou o representante de Joinville.

Ivan Naatz (PL), relator da CPI dos Respiradores, concordou com a análise de Kennedy.

“Tento conversar e noto que quando converso com eles, eles compreendem o que estou dizendo, mas na hora de falar não fala o que conversou. Ouvi de um comentarista que a CPI estava muito atrás da polícia”, afirmou Naatz, acrescentando que é natural que a investigação policial esteja adiantada em relação aos trabalhos da comissão.

Zolgensma em agosto
Fabiano da Luz (PT) relatou reunião com técnicos da Anvisa para conhecer detalhes do processo de legalização no Brasil do medicamento Zolgensma, utilizado no tratamento da AME.

“A informação que recebemos é que a Anvisa acompanha desde 2012, são menos de 100 crianças no mundo atendidas com esse medicamento e está para ser aprovado o registro em agosto, seremos o quarto país do mundo a ter o medicamento”, revelou Fabiano.

Segundo o parlamentar, o remédio vem dos EUA direto para o hospital em que a criança está sendo tratada.

“Todas as crianças sobreviveram, a grande maioria não usa respiradores, parte consegue sentar e andar, depende como o corpo absorve a medicação”, afirmou Fabiano, que lembrou da luta de crianças de Saudades, Xanxerê e Nova Trento para pagar o tratamento, orçado em R$ 10 mi.

Fascistas, nazistas e socialistas
Ana Campagnolo (PSL) reclamou de uma professora do Ensino Médio da Escola Joaquim Ramos, de Criciúma, que abordou em aula similitudes e diferenças entre os três citados regimes políticos.

Segundo Campagnolo, a professora associou práticas fascistas às demissões dos ministros da Saúde em plena pandemia e ensinou que o fascismo e nazismo glorificam a violência, enquanto o socialismo, não.

“Ninguém está aqui para defender fascismo e nazismo, mas historicamente o texto é mentiroso”, avaliou a deputada, referindo-se ao paper “Dez diferenças entre o fascismo, nazismo e o comunismo”, publicado pelo sítio UOL. Ana ainda argumentou que o comunismo matou tanto quanto o nazismo e o fascismo.

Terminal Pesqueiro de Laguna
Felipe Estevão (PSL) voltou a reclamar do abandono do Terminal Pesqueiro de Laguna, em que pese a promessa de repasse de R$ 4 milhões para obras no local.

“O governador foi a Laguna, acusou-nos de fake-news, fez mil promessas e mesmo assim continuou abandonado, anunciou R$ 4 mi para ampliação do calado e até agora nada. Soubemos que terceirizaram a fábrica de gelo, mas ninguém sabe quais critérios utilizaram”, discursou Felipe, que questionou formalmente o Executivo sobre a terceirização.

Calendário escolar
Ada de Luca (MDB) cobrou da Secretaria de Estado da Educação (SED) o calendário de retorno às aulas.

“O estado tem cerca de 540 mil estudantes, pelo menos 97 mil não têm acesso à internet. O MEC autorizou que as aulas virtuais sejam computadas dentro do calendário, mas como ficará o calendário em Santa Catarina? Aguardamos resposta da SED”.

Dia do imigrante
Ada destacou na tribuna a passagem do dia do imigrante, celebrado nesta quinta-feira (25).

“Os imigrantes que chegam hoje no Brasil chegam com os mesmos sonhos dos nossos antepassados”, analisou Ada, que pediu apoio para projeto de lei que isenta imigrantes e refugiados em situação vulnerabilidade social das taxas de tradução juramentada no território catarinense.

Auxilio de R$ 600 & menstruação sem tabu
Ada agradeceu o poio dos membros da CCJ que aprovaram projeto de sua autoria que cria auxílio de R$ 600 para as mulheres vítimas de violência doméstica e com medida protetiva.

Ada também anunciou o protocolo de projeto de política pública sobre a menstruação sem tabu, com o objetivo de promover ações de conscientização sobre a saúde da mulher e de cuidados básicos de higiene durante o ciclo.

Perguntas ao governador
Ada criticou as entrevistas concedidas pelo governador Moisés e formulou duas perguntas ao Chefe do Executivo.

“Tem concedido cada entrevista que me dá nos nervos, não sei que mundo ele ‘véve’, não é nem vive, tentou até definir a pergunta dos repórteres, dizendo que  imprensa não podia estar falando do caso dos respiradores. Governador, onde estava quando estado pagou R$ 33 mi? O senhor estava acompanhando o dia-a-dia da SES, onde havia misto de pânico e inexperiência, que resultou nessa compra catastrófica?”.

Segundo a deputada, “ninguém quer crise, tragédia, cassação, queremos é trabalho, para mais rápido voltamos ao rumo do desenvolvimento”.

Demora nos processos ambientais
Valdir Cobalchini (MDB) denunciou a demora na tramitação dos licenciamentos ambientais e indicou que, caso fossem acelerados, cerca de R$ 30 bi poderiam ser injetados na economia barriga verde.

“Um empreendimento muito pequeno, sem qualquer impacto, apenas uma terraplanagem para construir um barracão, em Saltinho. O Ima respondeu que só será possível fazer a vistoria daqui um ano e meio. Na sede tem projetos que se fossem transformados em empreendimentos, algo em torno de R$ 30 bi que estão na gaveta esperando licenças, me parece que a resposta que o estado precisa para a perda de receita seria acelerar o processo de licenciamento ambiental”, recomendou.

Alerta em Joinville
Fernando Krelling (MDB) informou que Joinville e região estão em alerta com o crescimento dos casos e de ocupação de leitos de UTIs com pacientes portadores de Covid-19.

“Cerca de  64% dos leitos do hospital São José estão ocupados, para chegar a 80% é rapidinho. É preocupante a situação”, resumiu Fernando, que agradeceu o Executivo pela entrega de mais 32 respiradores para o município.

Negócio corriqueiro
Marcius Machado noticiou projeto de lei para impedir a venda ou aluguel de imóveis adquiridos via programas de habitação social no estado.

“Aqui em Lages foram feitas unidades do “Minha Casa, Minha Vida”, (o cidadão) ficou um tempo na casa, trocou por um carro e foi para o Litoral. É preciso uma lei para que quando tiver dinheiro público estadual, a casa seja dada em  comodato, com previsão de manutenção, mas não pode alugar, vender ou emprestar”, explicou o representante da região Serrana.

Mais duas portarias
Jessé Lopes (PSL) informou que além das três portarias do Ministério da Saúde que preveem recursos para os hospitais filantrópicos, há outras duas na mesma situação, com os recursos parados no caixa da SES ao invés de integrarem as cotas correntes dos hospitais.

“Fiz um pedido de informação sobre o porquê dos recursos do governo federal não terem sido repassados aos hospitais. A SES foi na minha página responder e respondeu com o número de duas portarias, nada a ver com o número das portarias que estava denunciando. Denunciei três e eles me entregaram mais duas portarias, esse governo é sensacional”, ironizou Jessé.

Impeachment de Moisés
No final da sessão o deputado Ivan Naatz sugeriu ao presidente da Casa, Julio Garcia (PSD), que os deputados iniciem a discussão do processo de impeachment do governador.O presidente respondeu.

“Evidentemente o clima tem de ser jurídico, não haverá da nossa aparte omissão, sempre colocarei os deputados a par do andamento”, garantiu Garcia.

Vítor Santos
AGÊNCIA AL


 

 

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