As sete maiores mentiras sobre vacinação no Brasil

Nesta quarta-feira, 17 de outubro, é o Dia Nacional da Vacinação, data que tem objetivo de ressaltar sua importância na prevenção de inúmeras doenças. De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina tem eficácia comprovada, prevenindo enfermidades e, em alguns casos, erradicando-as, como foi o caso da poliomielite, que não existia no Brasil desde o início dos anos 90 devido às políticas de prevenção.

Porém, neste ano, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, demonstrou que a proteção contra a doença que causa paralisia caiu de 98%, em 2015, para 77% no ano passado, em todo o País. O Ministério emitiu um alerta para evitar o retorno dessas e outras doenças que já haviam sido erradicadas ou controladas no passado e que, diante do atual cenário de baixa vacinação, podem voltar a ser confirmadas no País.

Um exemplo disso é o recente surto de sarampo, que registrou, no País, 2.044 casos até 8 de outubro. Os casos da doença na América aumentaram cerca de 32% e o Brasil aparece em segundo lugar no ranking, de acordo com boletim divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em setembro.

As redes sociais e aplicativos de mensagens são veículos que dissipam diversas notícias falsas e desencorajam adultos sobre as vacinas.

— Alguns canais, mesmo sem muita credibilidade, influenciam muito o comportamento das pessoas em diferentes esferas, inclusive em saúde. E, alguns movimentos anti vacina repercutiram informações falsas sobre o tema. Por isso, desenvolvemos ações junto à imprensa e aos nossos pacientes para esclarecimento e estímulo sobre a importância da vacinação para a saúde — explicou Andréa Benincá de Almeida, pediatra responsável pelo setor de Vacinas do Laboratório Médico Santa Luzia, de Florianópolis.

A OMS calcula que, a cada ano, haja redução de 2 a 3 milhões de mortes graças à imunização. Por isso, quando receber notícias que promovem pânico, as pessoas devem buscar conteúdo confiável junto aos órgãos oficiais.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 06/08/2018 - Vacinação contra o Sarampo. (FOTOGRAFO: RONALDO BERNARDI / AGENCIA RBS)
Foto: Ronaldo Bernardi

Confira sete mentiras sobre vacinação que circulam na internet

1) Algumas vacinas possuem mercúrio, um produto químico altamente tóxico quando injetado no corpo.
O timerosal é um derivado do mercúrio e é utilizado como conservante em várias vacinas há décadas, como àquelas contra a gripe. Diversos estudos comprovam a segurança desse fator de imunização.

2) Vacina é um método de controle populacional e um instrumento político.
 As vacinas aumentaram a expectativa de vida da população com a redução da mortalidade causada por doenças graves, como sarampo, varíola e poliomielite. Elas foram desenvolvidas durante o século XX para ajudar a combater doenças graves e sempre foram benéficas à população mudando o curso de doenças graves, sendo um aliado na prevenção de diversas enfermidades.

3) Algumas vacinas podem causar autismo.
 Não há nenhuma evidência científica de ligação entre vacinas e o autismo. Na realidade, foi publicado um estudo há alguns anos com dados falsos e outros cientistas comprovaram a segurança das vacinas contendo o derivado do mercúrio, que segundo o artigo, levava ao autismo. A revista publicou um pedido de desculpas e o médico perdeu sua licença para exercer a profissão.

4) Pacientes alérgicos ao ovo de galinha não podem receber vacina.  
Algumas vacinas utilizam ovo de galinha na produção, como a vacina de gripe, por exemplo. Pessoas com alergia grave à proteína do ovo podem apresentar reação alérgica, uma vez que partículas do alimento podem estar presentes na vacina. Estes pacientes poderão tomar a vacina sob observação médica. Porém, mesmo em casos de alergia grave, o risco e o benefício, bem como as características de cada vacina, devem ser avaliados pelo médico.

5) Se tomou a vacina ano passado, não precisa tomar esse ano de novo.  
Cada vacina tem um esquema de doses recomendado. Algumas necessitam de reforço e outras não. Em alguns casos, é recomendado aplicação anual, como a vacina contra gripe. É fundamental seguir a orientação médica de dosagem e respeitar o calendário de vacinação.

6) Vacina pode fazer com que a doença seja adquirida, porque usam vírus vivo.
 Grande parte das vacinas contém apenas partículas do agente ou o vírus inativo, ou seja, morto e, por isso não causam doenças. Nas vacinas que possuem vírus vivo atenuado, é possível ter a doença pelo vírus vacinal que, normalmente, é leve e não causa repercussões, sendo muito menos grave que a doença causada pelo vírus selvagem. Este sim pode causar doença séria e até matar.

7) Algumas vacinas já mataram milhares, por isso não são seguras.
Não há nenhum relato de vacinas que causaram morte em um grande número de pessoas. As vacinas são seguras e servem para proteger as pessoas de doenças graves que matam.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 23/04/2018: Vacinação da Gripe em Florianópolis. NA foto: Doses da Vacina Influenza (Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Foto: Cristiano Estrela 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *